quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Roberto Carlos - Em Ritmo De Aventura (1967)

O Rei Roberto Carlos tem uma folha de ótimos serviços prestados ao rock nacional quando este termo ainda não existia em nenhuma de suas conotações ou denotações atuais. Era o homem fazendo história com as próprias mãos.

Ao longo dos anos 60 o Rei gravou um punhado de discos que podem ser considerados como um verdadeiro cânone do rock nativo em toda a sua extensão. Baladas, covers, composições próprias, uma parceria infalível (nos moldes de Lennon e McCartney, com o Tremendão Erasmo Carlos) e muito talento.

Roberto Carlos Braga nasceu em outono de 1941, no dia 19 de abril, em Cachoeiro do Itapemirim, pequena cidade no interior do Espírito Santo. Era o quarto filho do Sr. Robertino Braga e Dona Laura Moreira Braga. Ele foi fisgado primeiramente pelo country de artistas nacionais como Bob Nelson, mas não tardaria a comprar o compacto de "Rock Around The Clock" e se fascinar com aquele ritmo novo chamado rock 'n' roll.

Aos dezesseis anos mudou-se para o Rio onde foi morar no bairro da Tijuca, lá encontrando outros jovens fascinados por rock, como Erasmo, Tim Maia, entre outros. Foi no The Snakes que ele começou a cantar, apresentando-se em clubes e bailes.

Se você gostasse de música no Brasil dos anos 60, não poderia fugir dessas alternativas: a Bossa Nova era americana demais, influenciada por jazz mais do que qualquer outro ritmo, apesar de talentos inegáveis; o Tropicalismo só surgiria a partir de 1967/68 e era político demais, autoreferente demais e elitista por natureza. Portanto, se o jovem fã de rock tivesse que escolher um estilo de vida, este seria pontuado pelos carrões, motocas e cocotas da Jovem Guarda.

A ditadura militar implicou com o movimento pois a tal jovem guarda, aqui uma referência a uma "guarda" substituta das "velhas guardas", tão presentes no Brasil, poderia ser uma referência ao comunismo, pois Lênin batizara seus soldados revolucionários em 1917 com o mesmo nome. Tudo besteira. A Jovem Guarda era diversão pura. E Roberto era o chefe da patota.

O grupo de artistas que ainda contava com bandas como Os Incríveis, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys, Os Vips e divas como Martinha, Wanderléa e Rosemary estrelou por um bom tempo um programa homônimo na Rede Record, onde eles se apresentavam e afirmavam suas gírias e maneirismos.

No ano de 1967, o movimento vivia seu auge. E veio a idéia de fazer um filme, com a galera, na onda de "Help" (dos Beatles, feito dois anos antes) e das aventuras de James Bond. Roberto e Erasmo estrelaram "Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura", que foi um grande sucesso de bilheteria. O desempenho do cantor e compositor no papel principal, teve carisma e senso de humor. A grande atração, como seria de se esperar, é a trilha sonora, que inclui grandes marcos do repertório do filho mais ilustre de Cachoeiro do Itapemirim (ES), como "Eu Sou Terrível", "Como É Grande O Meu Amor Por Você", "Por Isso Corro Demais", "De Que Vale Tudo Isso", "Quando", "E Por Isso Estou Aqui" (que alguns pensam ter como título "Olha") e "Você Não Serve Pra Mim".

O curioso é que apenas "Eu Sou Terrível" foi escrita por Roberto e Erasmo, que na época viveram uma rara fase de desentendimento, levando o Rei a assinar sozinho cinco músicas. Estas músicas, hoje tão vilipendiadas, são verdadeiros tesouros. Nunca o homem foi tão vulnerável dentro de sua aparente superioridade adolescente. As letras de "Eu Sou
Terrível", cheia de bravatas e de "Por Isso Corro Demais" entram em choque direto, mostrando que os caras eram sensíveis e divertidos. E o romantismo sincero do Rei mostrava aqui com "Como É Grande O Meu Amor Por Você" o que viria a acontecer na década seguinte. Mas aqui a embalagem era rock muito bem feito e em sintonia com o que era cometido lá fora por bandas como Monkees, Herman’s Hermits e Hollies.

Muitos de nós estamos aqui graças a namoros iniciados à luz destas canções. Em respeito e conhecimento, ouçâmo-las pois e vamos tentar não mexer os esqueletos.

5 comentários:

Plante Árvores disse...

auhahuahuahauhauahuauauua...
eu tenho esse cd :P
eu comprei pra fzr uma brincadeira
com uma namorada minha, usando a musica "Como É Grande O Meu Amor Por Você"

:P

zeca disse...

RC Em Ritmo DE Aventura é o melhor disco da história do rock nacional de todos os tempos. Há quem prefira Cabeça Dinossauro, pfff... Nem vale a pena falar dessa gente. Esse é um disco perfeito, que marca o começo da fase madura do RC.

Só uma observação: o Erasmo não participou do filme RC Em Ritmo De Aventura. Ele aparece em O Diamante Cor-de-Rosa e em RC A 300km Por Hora. Aliás, o filme RC Em Ritmo... é sensacional, tão bom quanto o A Hard Days Night e melhor que o Help! dos Beatles como cinema. O melhor filme pop que o Brasil já produziu.

CEL disse...

Ops, falha nossa!

Marcelo disse...

Muitos de nós estamos aqui graças a namoros iniciados à luz destas canções.

Hahahaha, verdade! Só devo agradecer aos meus pais por terem me tido!

Mas é um disco sensacional e imortal. Simples, básico e direto. E o filme é uma pérola do nonsense! Grande fase do Rei.

Hilda B. disse...

Sobre o filme: tem cenas inteiras "inspiradas" no Hard Days Night, dos Beatles. "Por isso eu estou aqui" ( Olha) é uma delas.(Aliás, canção lindaaaaa, nunca ficou tão popular pq a Igreja não aproveitou pras suas liturgias..rs)