quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Scott Weiland - 12 Bar Blues (1998)


Não dá pra imaginar que o vocalista encrenqueiro e junkie de Stone Temple Pilots e Velvet Revolver seja o responsável por um disco como 12 Bar Blues.

Não é preconceito, muito pelo contrário. As bandas das quais Weiland participou nunca foram notáveis pela inovação ou arrojo em seus trabalhos. 12 Bar Blues é o oposto da estética hard-rock/grunge paraguaio que caracterizava as aparições de Weiland na mídia, até então. Mesmo porque esse disco passou quase em branco nas mentes mundiais, certamente uma injustiça das maiores. Logo após a gravação do bom Tiny Music From The Vatican Gift Shop (1996), o Stone Temple Pilots viu uma recaída de Weiland em direção ao uso de heroína e outras drogas. Antes desse disco, Scott havia estado numa clínica de reabilitação e, aparentemente, estava limpo.

A nova queda do vocalista fez com que os irmãos Dean e Robert DeLeo fundassem uma banda paralela, chamada Talk Show, aparentemente numa decisão de barrar do STP para sempre. O disco homônimo da nova formação - com o vocalista Dave Coutts - não fez sucesso mas isso não impediu que um Scott Weiland resoluto entrasse no estúdio para gravar seu primeiro trabalho solo. Para a produção ele requisitou Daniel Lanois, o canadense atmosférico, escudeiro de Brian Eno na concepção de grandes discos do U2 e de um belo disco de Bob Dylan, Oh, Mercy (1989). O resultado foi este magnífico 12 Bar Blues.

As canções se comportam como se estivessem num desfile de influências acima de qualquer suspeita no rock dos anos 70. O ponto de partida para tudo é o glam rock de Bowie e Roxy Music, mas filtrado pela visão 98 de música, o que significa uma adição pesada de eletrônica, ambiências trip-hopescas e um toque estravagante muito bem-vindo. Canções como "Barbarella" (alternando bossa-nova e guitar rock), "Mockingbird Girl" (uma delicada balada techno-acústica com tinturas beatles), "The Date" (psicodelia tecladeira enguitarrada) e, sobretudo, "Lady Your Roof Brings Me Down" (uma marcha fúnebre com acordeon e estilo Tom Waits) são espantosos exemplos do que Weiland pode fazer sem as amarradas de antes. Com ele no estúdio, além de Lanois, estão figuras inesperadas como Sheryl Crow (tocando acordeon) e o pianista de jazz Brad Mehldau. O holofote, no entanto, está sobre Weiland, que comanda guitarras acústicas, sintetizadores, baixo, percussão, piano, vibrafone, beat-box e o escambau a quatro.

Depois desse trabalho, Weiland e os irmãos DeLeo se reconciliaram, separaram, foram e voltaram, além do vocalista aceitar a partipação no medíocre Velvet Revolver, ao lado de Slash. Uma pena. Weiland tem (ou tinha) muito pra mostrar.

2 comentários:

banlop disse...

Bem lembrado, escutei bem o disco em 1999, lembro tbm do simpático clipe de "Barbarella" um disco subestimado, e como sempre bem lembrado por vc.Tenho me divertido muito e fico na expectativa de qual será o próximo artista e ser comentado por vc: será que teremos um Elvis costello por ai?

abraços

leomereu disse...

cara,
respeito a opinião alheia mas gostaria muito de ler um livro teu para dimensionar o talento de quem classifica o velvet revolver como medíocre.

de mais a mais, e apesar das putices e drogadices, scott weiland é um tremendo vocalista de rock, na minha opinião, um dos melhores que surgiram nos anos 90.

abraço.