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sábado, 22 de novembro de 2008

Glen Campbell - By The Time I Get To Phoenix (1968)


Ele deu uma última olhada para ela, que ressonava levemente. Pensou no que decidira fazer, pensou no que deixava pra trás. Sem tristeza, ele se permitiu imaginar o que viria. E sorriu secretamente, encoberto pelo escuro do quarto. Quando chegou em Phoenix, pensou novamente nela. O carro precisava de combustível. Imaginou-a acordando e não o encontrando de imediato, ao lado dela. Ele podia vê-la se dirigindo para a porta do quarto, onde ele deixara um bilhete, afixado por uma fita durex.
Ela riria da parte do texto curto que dizia "eu estou te deixando para sempre". Nunca acreditara que isso fosse possível, mas ali, em pleno estado do Arizona, bem longe de Los Angeles, ele achava que a distância era até pequena. Partiu no carro reabastecido e para o futuro. Já havia percebido que o romance não renderia muito, tentara abandoná-la algumas vezes, mas nunca resistira aos pedidos para voltar.

As estradas, essas pequenas condutoras dos vaivéns da vida o levaram ainda mais longe, naquela jornada de volta pra casa. Em Albuquerque, Novo México, ele novamente pensou nela. Provavelmente estaria trabalhando, talvez já no horário do almoço. Ela ligaria para a casa que dividiam, ouvindo o telefone chamar, chamar e ninguém atender. Simplesmente.

Mais tarde, já chegando em casa, em Oklahoma City, ele avistou a velha casa de seus pais e diminuiu a velocidade do carro. Pensou pela última vez nela, a esta altura já adormecida na cama vazia. Uma ponta de tristeza varreu-lhe a alma ao imaginar a constatação do inevitável por parte dela. Ele realmente se fora. Tantas vezes tentou avisá-la que algo estava errado, fosse o ciúme, fosse a rotina, a falta de amor. Ela nunca lhe dera crédito e ele sempre voltava, talvez por não conseguir viver longe. Agora, com a cama vazia, sob o calor leve do verão, ela chorava em silêncio no travesseiro. Ele não voltaria mais...

Ao ouvir os poucos versos contidos nos dois minutos e meio de duração de "By The Time I Get To Phoenix", entramos em contato com esta história de (não) amor, na qual o personagem-narrador da música descreve com minuciosa precisão o que a outra pessoa está fazendo ao longo de um dia de viagem, rumo ao futuro e uma nova vida. Os eventos evoluem do descrédito à constatação inegável que o amor acabou e que o ente querido não volta mais, mesmo após tantas tentativas fracassadas de abandonar a relação.

Vários detalhes maravilhosos fazem dessa canção um verdadeiro ícone da produção pop da segunda metade dos anos 60. A versão definitiva, gravada por Glen Campbell traz um arranjo luxuoso de cordas e metais, que retiraria o então astro country de seu nicho e o arremessaria ao estrelato, forjando um rótulo que poucas vezes pareceu tão acertado: countrypolitan. Seria o sujeito que veio do campo - no caso de Campbell, dos canfundós do Arkansas - e que chegou a Los Angeles, sendo lentamente assimilado pela metrópole, sem, no entanto, perder as idiossincrasias rurais.

Quando chegou a LA, Campbell era, de fato, um cantor country,mais que isso, um exímio músico, capaz de grandes melodias ao violão e guitarra. Logo foi contratado como músico de estúdio e acompanhou gente como Frank Sinatra e Elvis Presley, além de trabalhar com Brian Wilson, líder dos Beach Boys. Campbell acabaria substituindo Brian numa turnê dos BB em 1965, por conta de um dos primeiros ataques nervosos do beach boy, que o levariam a abandonar as turnês da banda e a sair de cena dois anos mais tarde, em função do colapso durante a produção do disco Smile.

Em troca, Brian Wilson compôs e produziu "Guess I'm Dumb", um sucesso mediano nas paradas, mas a primeira incursão de Campbell fora do terreno country. Ao longo dos anos seguintes, Glen consolidaria sua carreira de guitarrista e cantor, chegando a ganhar seu primeiro Grammy de melhor gravação country com "Gentle On My Mind", mas nada comparado ao que estava por vir.

Um belo dia ele recebeu um disco de Johnny Rivers, no qual estava "By The Time I Get To Phoenix". Foi a primeira música que Glen ouviu, chegando a se emocionar com a letra e, principalmente com o trajeto que o personagem empreende ao longo da canção: Los Angeles - Arizona - Novo México - Oklahoma. Quase o caminho inverso feito por ele em direção à cidade californiana.

Entrou em contato com o autor da música, Jimmy Webb, filho de um pastor batista de Oklahoma, com inacreditáveis 21 anos de idade. Essa parceria entre Webb e Campbell ainda rendeu mais três canções que se inserem no mesmo contexto de "By The Time I Get To Phoenix": "Galveston", "Where's The Playground, Susie" e, sobretudo, "Wichita Lineman", que ainda será dissecada por aqui. Jimmy Webb se firmaria como um dos grandes compositores pop de todos os tempos, ombro a ombro com seu mestre, Burt Bacharach, e gravaria com Cambpell o álbum Reunion, em 1974, com doze canções, entre elas os quatro sucessos citados acima.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Depeche Mode - Violator (1990)


Violator é, sem dúvida, o melhor disco já feito pelo Depeche Mode. Desde sua estréia em 1981, quarteto de Basildon, Inglaterra, definira seu som como um mix de Kraftwerk, Roxy Music e a fase Berlin de David Bowie, sob a estética mais moderna que a época permitia: o chamado "new romantic", totalmente eletrônico, sem outro instrumento que não fosse sintetizador e teclados. Precisaram de seis discos e mais um álbum duplo ao vivo para atingir o brilho ofuscante de Violator.

Os dois trabalhos anteriores do Depeche, Music For The Masses (1987) e o ao vivo 101 (1989) já mostravam que algo estava mudando na banda. A ingeuidade camp-pervertida estava dando lugar a um talento inevitável para a ourivesaria pop, vide o sucesso mundial perene de "Strangelove", faixa de Music For The Masses que até hoje levanta pistas de dança. Mas não era só isso: a "cara" do disco ao vivo, gravado na perna americana da turnê de divulgação de Music... apontava para algo emprestado da estética Joshua Tree do U2, algo como se o Depeche procurasse seriedade, legitimidade, relevância, algo capaz de tornar a banda mais importante que mera fazedora de tecnopop e, quem sabe, peitar New Order e Pet Shop Boys de igual pra igual no mundinho clubber inglês. As três bandas lançaram discos perfeitos no período 1989-90; o New Order veio com Technique, o PSB com Behaviour e o Depeche cravou o melhor dos três, Violator. E foi pra galera.

Violator, no entanto, não tem nada de alegre. É um disco nigérrimo, dark, obsessivo, o oposto dos discos das formações "rivais", capaz de pegar emprestados elementos do rock - algo inédito no cânon depechiano - e torná-los "tecno" naturalmente, como se sempre estivessem ali. A abertura do disco com "World In My Eyes" já coloca o ouvinte a par do que está por vir, numa evolução do que viera até então, mas é em "Personal Jesus", a terceira música de Violator que o bicho pega. Numa mistura de funk de branco com hip-hop e ares europeus. Martin Gore e David Gahan, vocalistas e cérebros da banda, oscilam performances tristes e raivosas, deixando músicas como "Enjoy The Silence" no rol dos grandes singles de todos os tempos. A seqüência, "Policy Of Truth", pulveriza riffs de teclado, bateria robótica e uma insuspeitada tendência para o groove em pouco menos de cinco minutos de perplexidade.

As nove faixas de Violator são conceituais, focadas numa idéia dark moderna e deserta - que ainda não envelheceu - algo como um anti-Achtung Baby (disco que o U2 lançaria um ano depois e que redirecionaria sua carreira). Não por coincidência, na produção de Violator está Flood, o sujeito que ajudaria Brian Eno a recriar a banda irlandesa em Berlin, poucos meses depois.

Violator é um dos grandes discos dos anos 80 e dos anos 90, ao mesmo tempo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Huey Lewis And The News - Sports (1983)


Toda década tem suas grandes bandas, seus fiascos, seus erros e acertos. Ao lado desses destaques, toda década também tem suas bandas ocultas, subestimadas, pequenas, one-hit wonders, aquelas formações que não aparecem em listas, não mudam nada em termos de comportamento e tendência, mas que sempre emplacam um ou mais hits certeiros nas paradas.

É o caso dessa formação de San Francisco, da qual, mui provavelmente, você não ouviu falar ou pensava ser apenas a responsável pela manjada e simpaticissíma "The Power Of Love", tema do filme De Volta Para O Futuro e suas seqüências. Em 1983, dois anos antes do estouro do filme, Huey Lewis e sua banda entraram em estúdio para dar forma ao que seria seu terceiro disco.

Ainda meio sem noção do que fariam, os sujeitos começaram a compor canções ganchudas, extremamente pop, cheia de guitarras crocantes e expansivas, sob influência de bandas como Cars e Pretenders, talvez com um toque leve de Bruce Springsteen. Começaram a fazer sucesso com "The Heart Of Rock'n'Roll", uma espécie de roteiro de viagens sob o ponto de vista de Lewis, ainda que eles jamais poderiam ser chamados de uma banda "de rock".

Eminentemente pop, o disco - batizado Sports - subiu nas paradas americanas e lá ficou, ajudado pelo estouro mundial da melhor canção jamais feita pelos News: "Heart And Soul". Com um arranjo que traz guitarras e teclados marcando um riff grandioso, a canção tornou-os conhecidos via MTV. "Heart And Soul" é uma dessas jóias pop, que nascem quase por geração espontânea, uma delícia de pouco mais de três minutos.
Três anos depois eles gravariam Fore, fraco, se comparado com Sports, ainda que tivesse o sucessinho de "Stuck With You", incluída na trilha sonora da novela Hipertensão, se não me falha a memória.

Huey Lewis ainda se arriscou como ator em Duets, contracenando com Gwyneth Paltrow, cantando versões karaoke de "Cruisin'" (Smokey Robinson) e "Lonely Teardrops" (Jackie Wilson), não fazendo feio. Seu ouro, porém, está em Sports.

Detalhe: vejam o clipe de "Heart And Soul" e reparem numa iniciante Sharon Stone, fazendo par romântico com Huey.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pet Shop Boys - Behaviour (1990)



O início da década de 1990 foi um tempo estranho. Enquanto o rock alternativo ainda não conseguia a visibilidade que o movimento grunge traria um ano depois e os megastars ainda grassavam pela Terra, este duo inglês fez um disco praticamente perfeito.

Neil Tennant e Chris Lowe já estavam no quarto trabalho, capitalizando singles nas paradas de sucesso em seqüência e travavam um simpático duelo com o New Order pela hegemonia da cena dance-house-tecno-whatever. A disputa entre a banda de Manchester e os PSB parecia mais uma treta criada pela imprensa inglesa, mas, na verdade, Introspective (1988) dos Pet Shop Boys acabou engolido por Technique (1989) do New Order.

A "resposta" viria com Behaviour, um disco que colocaria no bolso o trabalho seguinte do New Order, Republic, principalmente pela coesão que trazia. Desde 1985 os PSB perseguiam um modelo musical único no cenário pop: eram blasés, esclarecidos, cultos, gays, capazes de conjugar influências dos anos 60 - a cantora inglesa Dusty Springfield chegou a cantar com eles no segundo disco, Please (1986) - de uma forma quase tão intensa quanto Morrissey fazia nos Smiths. Só que os PSB nunca deixaram isso atrapalhar a persiguição do esquema perfeito da canção: chique, elegante, precisa, luxuriante.

Fizeram isso em todos os antecessores de Behavior, mas foi nele que atingiram o topo. O single "Being Boring" permanece como um dos maiores acertos do pop desde sempre, cheio de cordas (arranjadas pelo maestro Angelo Badalamenti), guitarras serpenteantes e samplers tecladeiros de harpas, vocais, coros, tudo a favor da canção. O clipe da música adentrou as MTV's do mundo com sua estética p&b, trazendo a celebração da juventude no proverbial "último dia do resto de suas vidas", celebrando o rito de passagem para a vida adulta, tão bem descrito pela letra de Tennant, cantando bem como nunca.

Em outro momento do disco, mais precisamente em "How Can You Expect To Be Taken Seriously", a banda se vale de batida característica da época - talvez criada por Jazzy B e seu Soul II Soul um ano antes - e empresta tédio à crítica mordaz aos artistas que fazem caridade e se aproeitam da imagem. Brilhante. A versão do clipe é diferente da que o disco traz, o que me levou a uma busca incessante, resolvida anos depois. A canção em sua variante 7" Perfect Attitude Mix foi perseguida por mim por bastante tempo, mais sutil e climática que a versão do disco, com alguns riffs de guitarra que parecem meio fora de lugar.

Behaviour é um disco que mostra um mundo em transição, sem internet, celular, no qual o fax e o telex eram o máximo em comunicação. Estranho, mas real.

domingo, 26 de outubro de 2008

Style Council - Confessions Of A Pop Group (1988)


O que um disco pode ter de tão ruim para fazer um artisa consagrado como Paul Weller perder o contrato com uma gravadora? Na verdade, Confessions Of A Pop Group não fez Weller e seu Concílio de Estilo perderem o vínculo com a Polygram, mas abalou sua credibilidade a tal ponto que os colocou na posição de um grupo iniciante. A tal quebra de contrato viria com o disco seguinte, Modernism: A New Decade, no qual eles abraçariam a acid house com três anos de atraso e sob a visão elitista e "esnobe" que Weller forjara ao longo dos anos 80.

O Style Council foi uma excelente banda, não entendam mal. Apenas estava no momento errado, talvez. A história você já sabe: Weller, cansado dos anos punk à frente do Jam, desmanchou sua banda original e montou um duo com o tecladista Mick Talbot, no qual exploraram terrenos musicais não mapeados, ou seja, a bossa nova de gringo, o sambinha de branco e, claro, o soul e o funk estilizados.

Falando assim até parece que o Style Council era horroroso. Nada disso, apenas era pomposo demais, cheio de uma fleugma meio falsa, mas, por trás disso tudo, Weller parecia se divertir com as pessoas e aproveitava para exercitar sua verve de compositor, se aventurando por suítes de piano e decalques de soul. Na carreira de quatro discos, entre 1984 e 1988, são soberbos Our Favourite Shop e Cafe Bleu. Já Cost Of Loving e Confessions Of A Pop Group estão no lado de baixo da tabela.

Injustiça, ainda mais se passarmos os discos pelo filtro do tempo. Esse trabalho, que eu tinha em LP, é um belo momento do pop orquestral, cheio de pianos e com uma bela performance vocal de Paul Weller. A abertura com "It's A Very Deep Sea" é um exemplo do que o disco oferece. Talvez a implicância maior com o Style sempre tenha vindo de críticos órfãos do Jam e incapazes de se emocionar com boa música pop. "How She Threw It All Away" também é bem bonitinha. Agora, os momentos pianosos de Talbot são como se Richard Clayderman tivesse passado pelo estúdio e apertado o "rec" enquanto o tecladista oficial estava no banheiro.
O maior acerto desse trabalho é "Changing Of The Guard", uma bela canção pianística, com uma boa participação vocal de Dee C. Lee, que foi, durante um bom tempo, a Senhora Weller.

Perca o preconceito e ouça.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Simon and Garfunkel - Bridge Over Troubled Water (1970)


Simon e Garfunkel já não eram exatamente puristas do folk quando se reencontraram em 1964, após o fim de seu duo anterior, Tom & Jerry. Simon, principalmente, era um tarado por boa música pop e excelente músico. O produtor Tom Wilson, o sujeito que ajudou Bob Dylan a eletrificar o folk e mudar praticamente tudo o que se fazia no estilo, resolveu empreender uma pequena cirurgia em uma das canções de S&G, "The Sounds Of Silence". O resultado, após o acréscimo de guitarras elétricas, baixo e bateria, subiu como um foguete nas paradas de sucesso e deu novo ânimo à estréia da dupla, Wednesday Morning, 3 A.M., de 1965, que não havia causado grandes efeitos quando de seu lançamento.

Simon & Garfunkel pavimentaram uma estrada de lindas melodias e letras simbolistas. Após o lançamento de Paisley, Sage, Rosemary And Thyme em 1966 e de seu provável melhor disco, Bookends, de 1968, a dupla já era capaz de atingir o melhor de dois públicos. Considerados "bobos" pela juventude idealista hippie, S&G ainda eram capazes de conquistar fãs nas alas "moderadas" dos apreciadores da psicodelia. Além disso, as músicas doces e belas eram talhadas para agradar ao apreciador médio de música pop. As pessoas que ouviam música e não pretendiam mudar a história a partir desse ato.

Em 1970 tudo indicava que a parceria chegara ao fim. Garfunkel, dizem, se sentia inferiorizado diante do talento de seu companheiro, algo que não é totalmente mentira. Simon evoluiu no estúdio a tal ponto que pode ser comparado com os melhores produtores do pop, uma fração abaixo de gente como Brian Wilson, sem qualquer exagero. O exemplo desse talento está no último disco que a dupla gravou, Bridge Over Trouble Water. Além da canção título, gravada até por Elvis Presley, o disco trazia sucessos como "Cecilia", "The Boxer" e uma impressionante canção andina chamada "El Condor Pasa".

Mas o grande momento musical desse disco é "The Only Living Boy In New York", justamente pela subjetividade e pela declaração de amor velada a tempos idos, no momento em que há percepção total do presente se tornando futuro. Mesmo que Simon e Garfunkel tenham seguido carreiras solo - e que o sucesso de Simon apenas confirme o talento que ele sempre teve - os dois se encontraram em 1981 para um concerto comemorativo no Central Park. Dali haveria um disco de material inédito a ser gravado, abortado. Simon lançaria o subestimado Hearts And Bones um ano depois e daria seu grande salto para frente, a bordo do ambicioso Graceland (1986), quando foi até a África do Sul para gravar com músicos locais.

Voltando a 1970. "The Only Living Boy In New York" é um "até logo" a Garfunkel, diante da inevitabilidade dos fatos. A letra mostra que "o único rapaz vivo em Nova York" é Simon, após o fim da amizade dos dois, algo que nascera ainda no ginásio. O sentimento de solidão, de resignação e de enfrentamento do futuro que chega é palpável na canção. O arranjo que a dupla fez, com vozes que simulam os cantos de corais infantis - dos quais Garfunkel emergiu - são uma obra-prima da produção pop.

Gravadas numa câmara de eco, as vozes foram multiplicadas por 15 e são colocadas em fade, dando a impressão de uma despedida longa e sofrida. Há menções explícitas a Garfunkel, principalmente nos versos iniciais: "Tom, catch your plane ride on time /I know you're part will go fine /Fly down to México /And here I am /The only living boy in New York", onde "Tom" é o antigo nome de Art na primeira dupla que tiveram e a viagem ao México é uma alusão ao filme Ardil 22, no qual o parceiro atua.

Audições mais atentas da música ainda deixam transparecer nitidamente uma influência dos climas finais dos Beatles, talvez do crepúsculo da carreira dos fab four em Let It Be e Abbey Road. "The Only Living Boy In New York" é uma das mais belas canções sobre amizade e cumplicidade já feitas, sob o ponto de vista da tristeza, inferiorizada pelo tamanho do mundo e das coisas, mas capaz de levantar e seguir em frente. Paul Simon, nesse momento, conseguiu ser exatamente o que sua canção queria dizer. Ou seria o contrário?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Bryan Adams - Waking Up The Neighbours (1991)


Engraçado. A trilha sonora da maioria das pessoas em 1991 é um mix de Ten (Pearl Jam) com Nevermind (Nirvana). Mas, todos na casa dos trinta e tantos anos reconhecerão a intro de "(Everything I Do) I Do It For You", tema de Robin Hood, estrelado por Kevin Costner.

Ela está nesse bom disco do mesmo ano do estouro do grunge, quase um representante de um outro mundo, muito distinto e distante do flanelão alternativo de Seattle. Não é ruim porque é lento, tradicional, baladeiro e partidário do rock de arena que, na época, fora ultrapassado pelo grunge e jogado fora no lixo da breguice.

Waking Up the Neighbours trazia "Everything I Do" e seus gloriosos seis minutos e tanto de midtempo. A canção ficou no topo das paradas americanas por sete semanas consecutivas. Isso não é surpresa para quem conhecia o talento de Bryan Adams para baladas derramadas. O sujeito já havia emplacado "Heaven" (faixa de seu disco Reckless, de 1984) nos dois lados do Atlântico e ainda cravaria vários outros sucessos do mesmo nível.

Muita gente nem lembra de Adams hoje em dia e, sinceramente, ele nunca chegou a ser um grande artista, mas sua capacidade de pegar o mais açucarado rock de arena e emplacá-lo nas paradas e trilhas de novela sempre foi seu forte.
Outros hits dele, frequentadores assíduos dos programas de flash-back das FM's: "Have You Ever Really Loved A Woman", "Can't Start This Feeling We Started", "Somebody", "Please Forgive Me" e "All For Love", em trio com Sting e Rod Stewart.

Bryan ainda está na ativa, lançou um disco no mesmo nível de Waking... neste ano - 11 - e segue em sua dobra temporal, cantando suas baladas para gente na meia-idade. As músicas do cara, ao fim das contas, lembram namoradas, outros tempos e festinhas nas quais ainda tinha a famosa "hora da música lenta". Isso acabou...