
O primeiro trabalho solo de Mick Jagger não é grande coisa. Mesmo que uma constelação de músicos faça parte dele. De Herbie Hancock a Jan Hammer. De Nile Rogers a Jeff Beck. De Sly & Robbie a Bill Laswell. De Pete Townshend a Carlos Alomar, só feras. Mas nem tudo aqui é ruim.
Mick vinha da turnê de Undercover, disco dos Stones de 1983. Resolveu gravar com gente diferente, fazer algo mais pop e sem a cobrança habitual sobre um trabalho de sua banda original, ainda que pareça óbvia uma cobrança maior sobre um dos integrantes a lançar seu primeiro disco longe dos companheiros. E depois disso lançaria Dirty Work, tido por muitos como o pior disco já lançado pelos Rolling Stones.
Por isso She's The Boss foi massacrado pela crítica, apesar do sucesso do single "Just Another Night". Eu gosto dessa música e acredito que ela renderia um rockão se fosse relida nos dias que seguiram. A bateria parece uma linha de montagem industrial, mas o groove é legal e Mick aparece em forma. "Lucky In Love", como ressaltou um fã de Stones acima de qualquer suspeita hoje mesmo, é uma canção pop acima da média para o que era feito na época.
É bom lembrar que, em 1985, os sintetizadores e as sonoridades mais plásticas e anacrônicas (hoje, claro) eram moda. Ouvir discos desse tempo é um exercício de amor à arte e, numa percepção desencanada, pode render boa diversão.
O clipe de "Just Another Night" (rodado no Brasil) trazia Mick dando uns pegas na atriz Rae-Dawn Chong, meio americana, meio tailandesa ou algo assim. Ela é a coadjuvante de Arnoldão Schwarzenegger no abominável Comando Para Matar. A história envolve putaria, exotismo tropical e um gringo no epicentro de tudo. Bem ao estilo do velho lábios de borracha.
Mick só faria um trabalho digno de sua persona rocker em 1993, quando gravou Wandering Spirit.
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