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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Yo La Tengo - I Can Hear The Heart Beating As One (1997)


Talvez porque eu estava perto dos trinta anos. Talvez porque era o fim da minha faculdade, talvez porque o mundo era mais redondo, sei lá. Esse disco do Yo La Tengo tem um imenso valor sentimental e me faz lembrar de um monte de pessoas e lugares. Nada muito longe, nem muito excêntrico, apenas uma multidão de pessoas que não estão mais por perto e lugares que eu não freqüento mais. É a vida, acho.

Foi o primeiro trabalho que eu ouvi do trio de Hoboken, Nova Jersey. Estava eu na Spider, lojinha simpática - acho que já me referi a ela em algum post - procurando novidades quando me deparei com a capa dourada e vermelha, pedindo para ser notada em meio aos outros discos normais da prateleira. Quando vi o selo Matador e a cover de "Little Honda" dos Beach Boys, tive um bom presságio. Após ouvir a segunda faixa, "Moby Octopad" no som da loja, tive a certeza definitiva de que teria que levar o disco. Veja, essa canção é uma das melhores melodias da década de 1990 e pouca gente sabe disso. É o anti-britpop, o anti-techno, o anti-grunge e, ao mesmo tempo, tem lugar garantido ao lado dessas tendências noventistas sem que muito esforço precise ser feito.

O YLT é Georgia Kaplan, James McNew e Ira Kaplan. É uma banda que se inspira - pelo menos nesse trabalho - em Velvet Underground, Sonic Youth (em sua faceta mais melodiosa) e Kinks, de maneira sutil a ponto de jurarmos que algo realmente novo está sendo feito. Poderíamos dizer que o Yo La Tengo é uma formação irmã do Luna, mas isso não seria muito preciso pois o espectro sonoro do trio vai longe. Neste disco, além da melodia hipnótica de "Moby Octopad" temos pop enguitarrado indie noventista em "Sugarcube", viagem ao lado escuro da Força em "Damage", noise cheio de guitarras saturadas em "Deeper Into Movies", balada curtinha e tristinha na voz de Georgia em "Shadows", pop perfeito em "Stockholm Syndrome e na cover de "Little Honda", além de mais um monte de tendências e modinhas que são tangenciadas levemente, sutilmente.

No fim do disco, como uma pequena canção de roda, está "My Little Corner Of The World", que pega pelo pé quem via seriados da época como Party Of Five, Everwood, Providence, My So Called Life e, sobretudo, Gilmore Girls, que a incluiu em sua trilha sonora.

sábado, 18 de outubro de 2008

Four Tops - Ultimate Collection (1997)


Em algum momento da década de 1980 eu ouvi "Baby I Need Your Lovin'" e fiquei absolutamente louco. A música era perfeita: melodia, harmonia, letra e os vocais. Tive certeza que era um grupo negro americano. Naquela época eu começava a ouvir música com uma atitude, digamos, mais séria.

Descobri os Four Tops e, a partir deles, vieram Temptations, Marvin Gaye, Smokey Robinson, Stevie Wonder e todos os gênios da gravadora mais famosa de Detroit, USA. A soul music, meus amigos, é algo muito sério. Com o tempo fui percebendo, à medida que me apaixonava para sempre pelo estilo, que soul é tão importante quanto a vida e, ouso dizer, maior que ela.

Muitos de meus heróis da música já morreram e, quando olho para o mundo e percebo que muitos deles estão velhos, esquecidos por uma mídia e um público desinformados e rasos, fico um pouco triste.

A solução é ouvi-los sempre, não importa o que aconteça. Digo isso porque ontem morreu o lead singer dos Four Tops, Levi Stubbs. Já estava velho e doente, provavelmente descansou e foi engrossar as fileiras da grande banda musical celeste, cada vez mais cheia de astros, afinal, astros ficam no céu, não?

A escolha da Ultimate Collection para ilustrar o post é prática, uma vez que estão nela 25 músicas do melhor período dos Four Tops, entre 1963 e 1972, sobretudo até 1968, época em que o trio de compositores Holland-Dozier-Holland deixou as fileiras da Motown. São deles "Baby I Need Your Lovin'", "Reach Out (I'll Be There)", "I Can't Help Myself", "It's The Same Old Song", "Walk Away Renee" e tantas outras canções perfeitas, verdadeiros caminhos para novos velhos bons momentos.

RIP, Levi.